quarta-feira, 19 de março de 2008

Poesia

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço.

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.

Fernando Pessoa, "Cancioneiro, in Obra Poética

1 comentário:

Lacrima disse...

"Querendo, quero o infinito." "Não o sei e sei-o bem."
Amo Fernando Pessoa... Boa escolha Alexis!!! Bjs***